Durante um ano inteiro eu tive uma convicção inabalável: não compraria um Nintendo Switch 2.
Não era birra. Não era protesto. Era simplesmente uma decisão lógica. Meu Switch continuava funcionando perfeitamente, minha biblioteca de jogos ainda tinha títulos que nem sequer comecei e, principalmente, a Nintendo não havia apresentado nenhum exclusivo capaz de justificar um novo investimento.
Pela primeira vez em décadas de relacionamento abusivo com a empresa japonesa, eu acreditava estar no controle da situação.
Quando amigos perguntavam se eu faria o upgrade do console, a resposta vinha rápida:
— Não.
Quando surgiam rumores sobre novos jogos, eu permanecia indiferente.
— Nada que me interesse.
Quando apareciam vídeos exaltando os benefícios do novo console, eu apenas observava de longe.
— Meu Switch ainda dá conta do recado.
Era uma posição confortável. Madura. Financeiramente responsável.
Mas havia um detalhe que eu não percebia.
A Nintendo nunca esteve tentando me convencer.
Ela estava apenas esperando.
Esperando o momento certo.
Porque a Nintendo conhece seus jogadores melhor do que eles conhecem a si mesmos. Ela sabe que gráficos melhores impressionam. Sabe que hardware mais potente chama atenção. Sabe que novos recursos geram curiosidade.
Mas também sabe que nada disso é tão poderoso quanto a nostalgia.
Então aconteceu.
O anúncio de The Legend of Zelda: Ocarina of Time.
E naquele instante toda a minha resistência desapareceu.
Não foi uma derrota gradual. Não foi um processo lento de convencimento. Foi um golpe crítico.
De repente, o console que eu dizia não precisar passou a parecer indispensável. O preço deixou de ser um problema e virou uma questão de logística. Os vídeos que eu ignorava passaram a ocupar meu histórico de pesquisa. O upgrade que eu jurava não fazer começou a ser analisado em parcelas, promoções e possibilidades.
A Nintendo encontrou exatamente o ponto fraco.
Porque Ocarina of Time não é apenas um jogo.
Para muita gente, é uma memória.
É lembrar da primeira vez que saiu da Floresta Kokiri. Da descoberta de Hyrule Field. Do susto ao encontrar os ReDeads. Da luta contra Ganondorf. Da sensação de estar vivendo uma aventura gigantesca em uma época em que os videogames ainda pareciam mágicos.
E a Nintendo sabe disso.
Ela sabe que, para uma geração inteira, basta ouvir algumas notas da ocarina para que todo o discurso racional desapareça instantaneamente.
No fim das contas, percebi que meu erro foi acreditar que a decisão era minha.
Eu não estava dizendo "não" ao Switch 2.
Eu estava apenas esperando a Nintendo anunciar o jogo certo.
E ela anunciou.
Hoje aceito minha derrota com certa dignidade. Depois de um ano repetindo que não havia motivo para trocar de console, fui vencido por um garoto de túnica verde, uma fada irritante e um instrumento musical fantasioso.
Se eu acabar aparecendo em breve com um Switch 2 debaixo do braço, saibam que não foi por causa da tecnologia, dos gráficos ou do desempenho.
Foi porque a Nintendo, mais uma vez, encontrou uma maneira de me fazer acreditar que revisitar Hyrule é uma necessidade básica da vida adulta.
E o pior de tudo?
Eu estou completamente de acordo com ela.

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