Depois de alguns anos em que parte do público passou a criticar o MCU por apostar em tramas cada vez mais complexas e cheias de mistérios que nem sempre tinham uma conclusão satisfatória, Homem-Aranha: Um Novo Dia chega para lembrar por que Peter Parker continua sendo um dos personagens mais queridos da Marvel.
O maior acerto do filme está justamente na simplicidade. Isso não significa que a história seja rasa, muito pelo contrário. O roteiro evita criar enigmas apenas para surpreender o espectador no último minuto. Quando o plot twist acontece, ele conversa com tudo o que foi apresentado anteriormente e faz sentido dentro da narrativa. É uma reviravolta construída aos poucos, sem depender de explicações mirabolantes ou de soluções tiradas do nada.
Outro ponto que chama atenção é a forma como o filme respeita quem acompanha o Homem-Aranha há décadas. Existem diversas referências espalhadas durante a produção, mas elas não parecem estar ali apenas para despertar nostalgia. Há homenagens aos quadrinhos clássicos, às adaptações anteriores para o cinema e também aos jogos da Insomniac Games para PlayStation. Alguns enquadramentos, poses, movimentos durante as lutas e pequenos detalhes visuais lembram bastante os jogos de Marvel's Spider-Man, criando aquela sensação de familiaridade para quem passou horas balançando pelas ruas de Nova York no console.
E esse talvez seja o maior mérito do filme: as referências funcionam como uma recompensa para os fãs mais atentos, mas nunca se tornam obrigatórias para entender a história. Quem nunca jogou os títulos do PlayStation ou não conhece todas as fases dos quadrinhos consegue acompanhar tudo normalmente. Já quem conhece esse universo percebe diversos pequenos acenos que demonstram o cuidado da produção.
Outro aspecto bastante elogiado é o retorno do foco para Peter Parker. Depois dos acontecimentos de Homem-Aranha: Sem Volta para Casa, o personagem volta a enfrentar problemas muito mais pessoais, retomando aquela essência do "amigão da vizinhança". O filme aposta mais no desenvolvimento do protagonista e menos na necessidade de transformar cada cena em um evento gigantesco do multiverso.
Visualmente, o filme também impressiona. As sequências de ação são criativas, a movimentação do Homem-Aranha pela cidade continua sendo um espetáculo e a fotografia ajuda a dar identidade própria ao longa. É aquele tipo de filme que consegue equilibrar momentos de humor, emoção e ação sem parecer apressado.
No fim das contas, Homem-Aranha: Um Novo Dia não tenta ser o maior filme da Marvel nem reinventar o gênero de super-heróis. Seu objetivo parece ser muito mais simples: contar uma boa história do Homem-Aranha. E justamente por isso funciona tão bem.
É o tipo de filme que faz você sair do cinema lembrando por que gostava tanto do personagem. Depois de algumas produções que dividiram opiniões dentro do MCU, essa sensação acaba sendo um grande elogio. Confesso que terminou a sessão e fiquei com uma vontade que não sentia há algum tempo: voltar a acompanhar o Universo Cinematográfico da Marvel com muito mais afinco.
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